A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O inicio é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.
por Arnaldo Antunes.
27.3.11
rotina.
25.1.11
7.1.11
we need to talk about Kevin.
“A expressão de Kevin era tranquila. Ainda exibia uns restos de determinação, mas esta já deslizava para a empáfia arrogante e serena de um trabalho bem feito. Os olhos dele estavam estranhamente desanuviados – imperturbados, quase pachorrentos – e, reconheci a transparência daquela manhã (...) Aquele era o filho estranho, o menino que largara o disfarce vulgar e evasivo do quer dizer e do eu acho e o trocara pelo porte de chumbo e pela lucidez do homem que tem uma missão.”
pg.443
6.1.11
5.1.11
28.12.10
science is golden.
A ciência está sempre ao favor dos nossos apelos, principalmente em situações difíceis. Basta um pouquinho de criatividade e inteligência para usá-la perfeitamente.
É simples, veja!
24.12.10
vasto.
Há palavras que o escritor sempre pronuncia baixinho enquanto as escreve. Seja em verso ou em prosa, ela tem uma ação poética, uma ação de poesia vocal. Essa palavra ganha imediatamente relevo sobre as palavras vizinhas, sobre as imagens, talvez sobre os pensamentos. É um "poder da palavra".
Quando lemos a palavra, parece que somos obrigados a pronunciá-la. A palavra vasto é então um vocábulo da respiração. Ela se coloca no nosso alento. Exige que a respiração seja lenta e calma. A palavra vasto evoca calma, paz, serenidade. É uma palavra inimiga das turbulências, hostil aos excessos vocais da declamação.
É preciso que a palavra vasto reine sobre o silêncio tranquilo do ser.
Essa palavra tem um virtude vocal que trabalha no âmago dos poderes da voz. Não se pode pensar a vogal a sem que se inervem as cordas vocais. A vogal a, corpo da palavra vasto, isola-se na delicadeza, longe das turbulências.
Penso que a vogal a é a vogal da imensidão.
É um espaço sonoro que começa num suspiro e se estende sem limite.
Com ela, o ilimitado entra em nosso peito.
Por ela respiramos cosmicamente...
22.12.10
amo coincidências.
Lá estava eu fantasiado de Adolf Hitler.
Perguntaram-me qual era o meu nome.
Respondo:
- Adolf Hitler!
Coincidência não!






